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05 dezembro 2015

Lubrificando - A vida (real) de uma Garota de Programa


Minha mãe sempre me disse: Todo trabalho é digno.
De primeiro fiquei pensando se garota de programa (conhecida como Puta pela sociedade machista e moralista) também era um trabalho digno, e nessa minha virada de personalidade na qual eu me descobri feminista, sim, é um trabalho digno como qualquer um outro!

A imagem que temos na cabeça nem sempre é a real. Oras, eu imaginava que motel era um quarto vermelho sempre cheio de rosas e com música romântica 24 horas, pois não é. Assim como garota de programa não fica na esquina esperando qualquer homem passar para pegar, ou em um "puteiro", garota de programa não é visível pelo público, normalmente trabalha por internet, anúncios ou é bem discreta nos locais que marcam de se encontrar.


Conversei com três garotas de programa (GP) para quebrarmos esse tabu colocado acima delas. Sei que o assunto é bem delicado e fui alertada pelos meus pais sobre o cuidado com as palavras.

Vocês sabem que a lei do blog e da minha vida é: a vida é sua, faça o que quiser com ela! Então nem preciso falar que meus comentários serão mais ou menos nessa linha kk.

Chega de enrolação, vamos para a entrevista logo! 


CONHEÇA:
NANE, 20 ANOS
DAYANE, 22 ANOS
MIIH, 19 ANOS

Quais o piores estereótipos que criam em cima de garotas de programa?

NANE: Mulher de vida fácil, quenga, depósito de porra, são os mais comuns. Mas não pelos clientes, geralmente são por "moralistas".

DAYANE: Sempre pensam que garotas de programa são loiras, ou bem bronzeadas, cabelão, salto, roupas curtas, bem "periguete" mesmo. Eu sou baixinha, corpo normal (nada de lipo, silicone e até tenho algumas gordurinhas), geralmente uso sapatos baixos, rasteirinha, coturno (vai do tempo), uso short, camiseta e pronto. Como uma garota normal.

MIIH: Acharem que temos que fazer tudo porque estão pagando. Já ouvi isso de clientes diversas vezes... Eles esperam que a gente tope qualquer coisa.


E como é sua vida pessoal?

NANE: Bom, eu sou universitária, estou no terceiro período de Ciências Biológicas. Quando sobra um tempinho eu faço programas.

DAYANE: Sou mãe, namorada, amiga, totalmente diferente da Natalie (meu nome de guerra).

MIIH: Bom... no meio em que não sabem a minha profissão, é tudo normal. Consigo aproveitar bem o dinheiro que ganho, mas a profissão acaba me privando de algumas coisas


Porque você escolheu trabalhar com programa?

NANE: Então, foi meio inusitado. Eu sempre fiquei com meninas desde os meus 12 anos. Eu tinha amigas que já eram garotas de programa, mas eu não sabia. Até que um dia, eu estava precisando de uma grana e uma delas me contou onde trabalhava e eu resolvi ir lá. Perdi minha virgindade na "zona". Foi minha primeira vez com um homem. Não foi bom, mas depois eu comecei a gostar. Hoje eu gosto do que faço, sou super paparicada pelos meus clientes, são gentis, nunca precisei chamar os seguranças, e além do prazer que eu sinto e também proporciono a eles, tem o dinheiro. É uma profissão que não me toma um tempo muito grande, e assim dá pra eu estudar tranquila.

DAYANE: Eu já fui de esquina e garota de programa. Já trabalhei na rua, já trabalhei em boate, já trabalhei em casa de massagem, e já trabalhei na zona onde faz programa de 10 minutos por 40,00. No desespero procurei apenas uma forma de ganhar dinheiro a qualquer custo, hoje estou mais tranquila no site. Quando eu cobrava 40 era paga para "meter", me sentia um objeto. Hoje trabalhando no site, sou bem tratada, às vezes sou paga apenas para um jantar ou para conversar, ando em carros de clientes luxuosos e que muitas vezes são como verdadeiros amigos para mim.

MIIH: Não escolhi exatamente. Fiz dois antes da maior idade (sem sexo). Topei pq os caras iriam me pagar pra fazer coisa "boba". Eu tinha saído de casa é as coisas estavam um pouco dificeis. Comecei a dançar numa boate quando fiz 18 e rolava algumas propostas... Como algumas eram boas, eu acabava fazendo um "extra".


Por onde marca os encontros? E quantos por dia, normalmente?

NANE: Bom, já trabalhei em um hotel e em uma boate antes. Conquistei muitos clientes fixos. Só atendo os que já conheço. Eles entram em contato comigo através de redes sociais (Facebook, Whatsapp) . Geralmente é das 16 as 23 horas. Atendo em um hotel, no momento. Atendo de 10 a 15 homens por dia. É o que aguento fazer.

DAYANE: Eu sou anunciante em um site. Depende se o dia está bom ou ruim, depende de quantas horas o cliente quer ficar, depende muito. Mas geralmente de 2 a 4. Eles geralmente são homens finos, empresários, advogados, médicos e fazendeiros também tem muitos.

MIIH: Whatsapp, ligações... Depende muito


Seus amigos e parentes sabem?

NANE: Não. Somente amigas que também são garotas de programa que sabem.

DAYANE: Sim, ninguém nunca descobriu, eu que contei. Não me envergonho do meu trabalho, se eu baixar a cabeça, todo mundo aponta, fala mal, julga, como eu ergui a cabeça e admiti eles não falaram nada.

MIIH: Fui criada pela minha mãe e tia e elas sabem. Quanto aos outros parentes... devem saber, mas da minha boca nunca ouviram. E os amigos... nem tem como esconder, eu moro sozinha, tenho contas a pagar e sempre peço que me avisem antes de virem aqui, você desconfiaria, não ?


Tem algum caso maluco que você já passou?

NANE: Vários rs. Além das parafilias pouco comuns, o que eu acho mais maluco, foi um cara que um dia chegou todo animado, fogoso, pra transar comigo. Transamos e logo após a transa ele começou a chorar, fiquei sem saber o que dizer, mas comecei a conversar com ele. Ele dizia que era evangélico, que estava "desviado" da igreja, que deveria estar ali para pregar a palavra de deus, para que mulheres como nós fossem convertidas. Na hora eu "concordei" com ele, para que ele parasse de chorar, disse que ele devia voltar para a igreja e pedir perdão. Essa foi a experiência estranha mais recente.

DAYANE: Tem. Um deles foi um cliente que me chamou apenas para eu ver ele batendo uma enquanto assistia porno gay. Isso fora os amantes de pés que querem apenas beijar meus pés. Tem também os que querem ser humilhados e que eu mije, cuspa e chute eles

MIIH: Eu não diria "maluco", mas fora do comum teve o cara que me ofereceu dinheiro pra que eu cortasse o meu cabelo


O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

NANE: Quase não tenho tempo livre. Mas comecei a ter aulas de piano e francês. Quando estou em casa, leio bastante, e brinco com meu cachorro.

DAYANE: Assisto filmes, às vezes saio com amigos para beber, me divertir.

MIIH: Gosto de pegar uma praia, sair pra beber e viajar quando dá


Se você pudesse dizer algo para essa sociedade machista e moralista sobre o seu trabalho, o que você responderia?

NANE: Meu corpo, minhas regras. Eu ganho, sou paga para proporcionar prazer, o corpo continua sendo meu. É um trabalho digno como qualquer outro. Sou uma ótima profissional, não tenho vida fácil, não tenho dono, não sou apenas um corpo, tenho alma, proporciono prazer, sou livre pra ser e optar pela profissão que eu quiser!

DAYANE: Que meu trabalho é como qualquer outro, apenas me alugo por algumas horas. Ninguém deve ser julgado pela profissão.

MIIH: Eu diria que enquanto eles demonizam a prostituição, minha conta no Banco cada vez fica mais gorda, hahaha




Bom, agora eu quero falar. Sei que vocês devem estar pensando do porquê fiz essa entrevista, porque tive a ideia desse post. Primeiro que eu queria entender como a vida delas era, eu tinha o pensamento moralista também e como uma pessoa que quer sempre saber mais, quer sempre quebrar esses pensamentos errado eu busquei saber (o que muitos deveriam fazer).

Elas não são mesmo mulher de vida fácil, eu acompanho um grupo no facebook que tem muitas garotas de programa, muitos casos que leio me assusto. Li esses dias sobre uma delas que levou uma facada no braço porque o cliente queria ficar mais tempo, mas não queria pagar. A violência nesse trabalho é conveniente, pode acontecer em qualquer momento.

É um trabalho cheio de preconceitos? Com certeza. Mas não julgue, se você acha errado, guarda pra você. Fecha a boquinha porque ninguém é obrigado a ouvir opinião que não pediu, ainda mais julgamento.

A vida é delas, elas decidiram, elas fazem. As pessoas tem que entender que muitas vezes entram no meio da vida profissional de alguém, mas não pensam que isso não importa. Só estão sendo chatas e preconceituosas, mas não estão a ajudando.

É isso pessoal, eu adorei fazer esse post que demorou muuuito para sair kk, espero que tenham gostado de algo mais diferente!
Comentem o que acharam, e nos vemos logo logo, beijos!




comentário(s) pelo facebook:

14 comentários:

  1. Adorei a postagem, achei muito interessante e gosto de ler sobre o assunto. Acho que independente da profissão que escolhemos, acima de tudo somos todos humanos(as) e devemos ser respeitados. Acho triste o fato delas terem que passar pela insegurança de sofrerem alguma agressão, como o caso em que você relatou da menina que foi esfaqueada. Um beijo!
    www.dezoitodetalhes.com

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    1. Além de agressão tem o preconceito que é bárbaro! Mas obrigada por ter lido!!! E por ter gostado <3 e é exatamente isso que vc disse "somos todos humanos"

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  2. Uau, Parabéns pra você e pra essas garotas. Pq sei que nao deve ser fácil. Mas cada um acha um jeito de viver a vida, e não é por isso que devemos julgar. Nunca tinha ouvido um depoimento desses. Beijooos

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    1. Nossa!!!!! Obrigada!!!!! Sua lindaa <3

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  3. Parabéns pelo post, gostei muito. Faz tempo que converso com amigos(as) mesmo sobre essas coisas e por mais mente aberta que eles(as) sejam ainda existe um preconceito, uma insegurança em afirmar que essa é uma profissão digna. Sempre achei normal, pois elas não estão matando nem estuprando ninguém e a vida é delas, como você diria hahaha.

    Mais uma vez, adorei o post e é muito bom ver pessoas que estão cutucando nos assuntos considerados polêmicos e esclarecendo tudo que realmente acontece.

    Beijos
    http://modadepartamento.com.br/

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    1. Obrigada pelo elogio, adorei o comentário!!! Você ta muito certa, elas não estão fazendo nada demais a não ser vender sexo, o que muita gente paga e se isso nao acontecer mais, brigam. Obrigada mais uma vez, sempre tento ser mais clara possível para as pessoas tirarem alguns preconceitos da cabeça <3

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  4. Nossa, que demais esse post! Foi uma ótima iniciativa correr atrás dessas informações. Espero que as pessoas pensem mais como você e parem de julgar as outras. Não só pelo trabalho mas por roupa, cor da pele, cabelo, sei lá.. Acho que o mundo precisa de mais amor, no geral =)

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    1. Obrigada migaaa"!!!! realmente o preconceito parece que ta ficando cada vez mais evidente, e ainda tem gente que diz que não tem preconceito no Brasil (ou no mundo em geral)

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  5. Menina.. Adorei o post. Sempre tive curiosidade em saber como e a vida delas.. E um trabalho.. Não sou mas não julgo quem e.. Cada um sabe o que faz com seu corpo.. Elas não estão roubando nem matando ninguém.. Entao.. Rs.. Parabéns!!!

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    1. Eu tbm sempre tive curiosidade kk por isso fui atrás. e vc ta certa, elas nao estão fazendo nada demais, estão fazendo tudo de bom pros caras kkkk e os outros reclamam, aff

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  6. Achei muito interessante esse tema, parabéns, sempre fiquei pensando sobre esse tema haha Ficou otimo o post... beijos
    http://modismodeluxo.blogspot.com.br/

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  7. Adorei! Concordo com essa visão moralista que todos nós temos, é inevitável. Porém, são trabalhos como esse que tu fez que mudam a perspectiva de muita gente - como eu, inclusive.

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    1. Pois é, é inevitável. Crescemos, fomos educados assim, mas a gente tem que entender que devemos saber. Tendo a vontade de saber, a gente consegue ter uma opinião que não foi influenciada pela época em que eramos crianças.

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Obrigada por comentar, responderei você assim que ver o comentário. Beijos de sangue e até breve.